A arte de colocar limites

 

       Uma das primeiras palavras mais ouvidas na infância quando se começa a experimentar o mundo externo, engatinhar, dar os primeiros passos e brincar é a palavra “não”, palavra curta, objetiva e de fácil entendimento, que pode trazer diversas consequências. Na infância, talvez por ouvir tantos “nãos” essa palavra pode vir carregada de afeto, frustração, se tornar banal, rotineira, cansativa, chata e irritante. Assim, ao longo da vida, podemos nos esquecer da importância dessa pequena palavra em diferentes momentos e até sentir alguma dificuldade para usá-la. 

 

      Da mesma forma que o “sim” é importante o “não” também é extremamente significativo, é por meio dele que colocamos limites para nós e para os outros, que temos a possibilidade de reconhecer o nosso valor, a estima por nós mesmos e nos diferenciamos das outras pessoas, não nos deixando levar necessariamente por aquilo que não faz sentido, pelas tendências ou pela necessidade de agradar o outro e muitas vezes desagradar a si mesmo. Muitas vezes paga-se um preço muito alto por buscar dar conta de expectativas que se imagina que o outro tem ou por querer ser amado ou aceito a qualquer custo, assim instaura-se um círculo vicioso: a pessoa fala “sim” querendo dizer “não”, o outro percebe essa tendência e acaba usando isso a favor dele. Porém, a própria pessoa que aceita estar nessa situação costuma não se imaginar frustrando pessoas com quem convive, com quem trabalha e acaba dando conta de tantas coisas que corre o risco de esquecer-se dela mesma, sentindo dificuldade para enxergar-se como pessoa imperfeita e com necessidades.

 

        Por isso, colocar limites é extremamente necessário, é saudável para você e para o outro, reflete sua humanidade e o zelo que você tem consigo e com os outros, não adianta ser bom para os outros ou buscar agradá-los e ser um carrasco consigo. Dizer “não” requer certo auto conhecimento, auto confiança, coragem, envolve a capacidade de responsabilizar-se por si e reflete seu cuidado e amor, é assumir que você, a partir das suas necessidades, definirá o que fizer sentido, a cada situação que surgir, considerando o contexto e o outro lidará com isso de algum modo, assim como você também lidará com os “nãos” que já ouviu e que ouve em seu cotidiano.

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