Apego, rompimento e perda

     

      Apegar-se é uma das questões da vida de todos nós, seres humanos. O apego pode remeter a uma ligação afetuosa, a dedicação excessiva, relaciona-se também a tendência de "agarrar-se", podemos perceber isso acontecendo no cotidiano, quando nos agarramos a ideias, pensamentos, sentimentos, desejos, hábitos, atitudes, pessoas, objetos, emoções, situações, relacionamentos, ao padrão social e até mesmo aos medos que sentimos. A fim de buscarmos segurança em todos os aspectos da vida, muitas vezes, podemos acreditar que a segurança está fora, no meio externo. Dessa maneira, pessoas, objetos, situações, trabalhos podem se tornar mais que um suporte, uma sustentação. Uma sustentação que a qualquer momento pode se romper, pode acabar. Essa sustentação permanente só seria possível se o meio externo permanecesse estático para sempre, se nada mudasse, desse modo nos manteríamos numa zona de conforto, na inércia, seguros e acomodados.  Porém, o universo se movimenta e tudo que faz parte desse universo também precisa seguir esse fluxo, afinal a vida é movimento.

 

     O apego, frequentemente, é gerado pelo medo de mudanças, é um esforço para manter as coisas como estão, nos dá a sensação de que não conseguiremos sobreviver sem “o objeto de apego” por imaginar que nossa segurança vem dele. Quando passamos por situações de rompimento ou perda podemos sentir uma dor tão intensa que nosso cérebro reage como se tivéssemos uma dor física. Para fugir desse desconforto tendemos a aumentar comportamentos impulsivos com o propósito de evitar entrar em contato ou na tentativa de impedir enfrentar aquela situação extremamente incômoda. Comer demais, beber muito, chorar excessivamente, dormir bastante, ter comportamentos difíceis de controlar são exemplos dessa fuga por alívio momentâneo. Postergar ou evitar entrar em contato com a questão em si trará outras complicações para a vida.

 

    Apoiar-se no meio externo traz uma falsa ideia de segurança, pois não há garantia de imutabilidade e de permanência. A realidade externa está em constante movimento e se você buscar apoiar-se em si mesmo, olhando mais para dentro, perceberá aspectos antes não percebidos, entrará em contato com sua riqueza interna, potencialidades, seus sonhos e também com suas próprias limitações e desafios, se compreenderá, aceitará o fluxo natural de mudanças ao longo da vida e se permitirá abrir-se também ao novo, despedindo-se daquilo que não faz mais sentido, daquilo que já passou. Com isso, verá a segurança por outra perspectiva. Cada um levará o tempo necessário para lidar com esse processo interno. A psicoterapia e os trabalhos de desenvolvimento pessoal são alternativas facilitadoras para lidar com esse período que quando estamos dentro, inseridos nesse processo parece ser difícil de cuidar.

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