Medo e Coragem

 

 

 

          Lembro-me de logo que comecei a fazer psicoterapia, a psicóloga clínica comentando sobre o significado da palavra coragem. Coragem pode ser interpretada de diversas maneiras, há muitas definições no dicionário, mas a definição que mais me tocou e que guardo comigo, ouvi numa das sessões de terapia, ela me dizia que essa palavra vem do latim: “cor” significa coração e “agem” deriva de um sufixo latino que é usado para indicar ação, ou seja, agir com o coração, aquilo que fazemos com o coração, sendo quem somos. Resumidamente, coragem significa ser quem você é.

 

         No primeiro momento, pensei que essa definição acessava o que de mais autêntico existia em mim, mas ao mesmo tempo meu lado mais crítico pensava que essa definição poderia ser interpretada também de forma um tanto simplista, afinal se coragem é agir com o coração posso agir de acordo com minhas emoções, de forma passional e perceber isso como um gesto corajoso?! Ao longo do processo terapêutico fui percebendo que internamente temos várias partes, as quais podem estar confusas inicialmente, desorganizadas, misturadas e com o tempo podemos nos compreender melhor, muitas vezes podemos nos redescobrir, entendendo, de fato, quem somos, quais são as crenças que nos norteiam, quais são as feridas, o que é importante e significativo, considerando nossa totalidade, emoções, sentimentos, o contexto no qual se está inserido, a história individual, a intuição e inteligência.

 

          Agir com coragem é considerar que embora apareçam medos, as decisões não precisam ser influenciadas por eles. O medo também é importante, pois nos protege de uma série de perigos, ele é necessário para nossa sobrevivência, é o que nos impede, por exemplo, de colocar a mão no fogo ou o dedo na tomada. Porém, existem medos que são frutos da nossa imaginação, criados pelos pensamentos, pelo receio de enfrentar algumas situações novas, baseado em experiências anteriores, em frustrações, por tentar adivinhar o resultado de algo desconhecido ou pelo que ouvimos e observamos no cotidiano juntamente com as nossas fantasias.  Dessa maneira, o excesso de medo pode nos paralisar, diminuindo assim a coragem. Esse medo alimenta as desculpas que damos a nós mesmos e aos outros para permanecermos naquilo que é familiar e conhecido ou para nos mantermos presos a situações que não nos fazem felizes. Assim, o esforço acaba sendo mínimo, isso traz certa comodidade, por permanecermos na zona de conforto, na inércia, sem grandes mudanças, sendo levados pela tendência, deixando a vida levar, afinal é mais fácil, sem refletir muito sobre.

 

           Pode parecer mais seguro ficar com o que é conhecido e se agarrar ao familiar, vivendo mais do mesmo, sem novidades, sem transformações significativas ao invés de se aventurar em um novo território. Aventurar-se, no primeiro momento pode soar um tanto assustador, por trazer a tona o desconhecido, o novo e ao entrar em contato com o não saber, com aquilo que foge do controle, do habitual, do esperado, inicia-se uma jornada de descobertas, de novas compreensões, explorando novas possibilidades, modificando-se e isso pode te levar a não retornar mais àquele lugar ocupado anteriormente por você.

 

       Nesse sentido, aproveitando este início de ano, te convido a fazer uma avaliação ou um balanço de como foi o ano anterior pra você. O que você viveu e como viveu esse período? Quais foram os momentos mais marcantes? Como foram esses momentos pra você? Que emoções você experimentou? O que você talvez faria diferente se tivesse a oportunidade de escolher? Aceite o ano que passou: as conquistas que viveu, as surpresas que teve, as batalhas que enfrentou internamente, os desafios que encarou, as dificuldades, frustrações e decepções que precisou lidar, os medos que foram encarados e perceba o que você aprendeu ao viver tudo isso.

 

       Além disso, a vida segue, fazer projetos, ter sonhos, planos e desejos, reavivam a esperança de continuidade da vida. E o que você quer viver em neste ano? Quais são as áreas da sua vida que você gostaria de mudar? Como você tem se sentido? Como quer se sentir? De que maneira quer se perceber no final do ano deste ano? Será que atualmente você está sendo corajoso(a), agindo de acordo com o que faz sentido pra você mesmo?! Lembre-se que a coragem não é a ausência de medo e sim o enfrentamento deles, superando-os por uma causa justa, em busca daquilo que faz sentido...

 

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